quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Itens apreendidos na Operação Ethos são analisados em Venceslau

Computadores, documentos e anotações foram apreendidos
(Foto: Reprodução/Tv Fronteira)
Nesta quarta-feira (23), a Polícia Civil de Presidente Venceslau informou que está com todos os materiais apreendidos durante a Operação Ethos, realizada no Estado de São Paulo.

A ação teve como objetivo cumprir mandados de prisão contra advogados suspeitos de envolvimento com uma facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios do Estado de São Paulo. Ainda segundo a polícia, todas as pessoas presas foram trazidas ao Oeste Paulista, região na qual a investigação foi desencadeada.

No total, foram expedidos 41 mandados de prisão e, destes, 34 foram cumpridos e resultaram na detenção dos profissionais suspeitos de terem elo com a organização ilícita. Outras sete pessoas continuam foragidas da Justiça.

A Polícia Civil informou que o conselheiro Luiz Carlos dos Santos, vice-presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), que também foi preso durante a operação após as investigações apontarem o seu suposto envolvimento com a facção criminosa, foi levado para a Penitenciária "Zwinglio Ferreira", a P1 de Presidente Venceslau. Ele é o único dos presos que ainda falta ser ouvido.

Santos, com a participação dos advogados, recebia uma quantia mensal, conforme foi apurado pela Polícia Civil, para informar a facção sobre os assuntos do conselho. Todos os detidos permanecerão presos, temporariamente, por cinco dias. Entretanto, esse período pode ser prorrogado pela Justiça por mais cinco dias, caso haja necessidade para as investigações serem concluídas.

Inquérito
O inquérito policial sobre o caso foi instaurado em maio de 2015 para apurar crimes de organizações criminosas, lavagem de dinheiro, associação para fins de lavagem, exploração de prestígio e corrupção ativa. As investigações começaram após informações reveladas através de uma carta que foi interceptada por agentes da Penitenciária “Maurício Henrique Guimarães Pereira”, a P2 de Presidente Venceslau, no dia 11 de maio de 2015, durante procedimento de varredura de rotina realizado no telhado sobre os raios 3 e 4 da unidade.

Conforme a Polícia Civil, os envolvidos nos crimes tinham uma célula denominada “sintonia dos gravatas” – modo como é tratado o departamento jurídico da facção criminosa – criada inicialmente para prestação de serviços exclusivamente jurídicos aos líderes da “sintonia final geral” ou “conselho deliberativo”, que são os chefes da organização ilícita. Esses advogados evoluíram da licitude para a ilicitude, porque se percebeu a capacidade de infiltração dessa célula, sempre blindada pelo sigilo constitucional do advogado.

Atualmente essa célula simulava visitas jurídicas aos líderes presos, fazendo elo de comunicação de atividades criminosas entre os presos e aqueles que estão em liberdade, em “verdadeiras relações de promiscuidade”, segundo a Polícia Civil.

Cumprimento de mandados
A Operação Ethos, realizada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público Estadual (MPE), através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), prendeu sete advogados no Oeste Paulista, nesta terça-feira (22). Entre os presos, estão duas mulheres e cinco homens.

Segundo o delegado Éverson Contelli, oito mandados de prisão estavam previstos para serem executados na região. “Dos oito [mandados], cumprimos sete e uma advogada, de Pirapozinho, ainda está foragida. Foram cinco prisões em Presidente Prudente, uma em Presidente Venceslau e outra Estrela do Norte. Todos prestaram depoimento e serão encaminhados para unidades prisionais da região”, explicou o delegado.

Conduta de advogados
A 29ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) afirmou que vai apurar a conduta dos advogados que foram presos na Operação Ethos, realizada nesta terça-feira (22), no Oeste Paulista. Conforme o presidente da OAB na região de Presidente Prudente, Rodrigo Lemos Arteiro, o Ministério Público Estadual e a Polícia Civil ainda não notificaram oficialmente a entidade sobre o caso, por enquanto.

O presidente da OAB também acompanhou os representantes da entidade e ressaltou que tudo ocorreu “dentro da legalidade”. “Todos os advogados presos estão vinculados à Ordem dos Advogados no Estado de São Paulo, não sei dizer se são todos da nossa região”, frisou. “A Ordem precisa ser comunicada. Por enquanto, a Ordem não tem expediente materializado por escrito para fazer qualquer valoração sobre o caso e não há um prazo para que isso seja feito”, pontuou.  (Fonte: G1 Prudente)

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