terça-feira, 7 de junho de 2016

Charge do Dia do Integração Regional


Provedor afastado da Santa Casa de Presidente Venceslau é preso

Antônio José Aldrighi dos Santos é investigado na Operação Sanctorum. Polícia Civil apura esquema de desvio de verbas na área da saúde

Antônio José Aldrighi dos Santos foi preso temporariamente
 nesta segunda-feira (6) (Foto: Reprodução/TV Fronteira)
A Polícia Civil prendeu na tarde desta segunda-feira (6) o provedor afastado da Santa Casa de Presidente Venceslau, Antônio José Aldrighi dos Santos. Ele foi abordado por volta das 15h45, em um prédio comercial no Centro da cidade. A Justiça atendeu a um pedido da Polícia Civil e decretou a prisão temporária de Santos por cinco dias. Ele, que foi levado para a Central de Polícia Judiciária (CPJ), é um dos investigados no âmbito da Operação Sanctorum, que apura um suposto esquema de desvio de verbas de emendas parlamentares na área da saúde.

Segundo a nota fiscal, o valor dos serviços foi de
R$ 100 mil (Foto: David de Tarso/TV Fronteira)
"Inicialmente foi pedido apenas o afastamento. Porém, na vépera da Operação Sanctorum [dia 1º], descobrimos que ele [Santos] e membros da organização criminosa tiveram um encontro. Por isso, optamos pela representação da prisão", salientou ao G1 o delegado responsável pelo caso, Éverson Aparecido Contelli.

Nesta segunda-feira (6), a Polícia Civil abriu um inquérito para investigar a prestação de serviços da empresa Ajas Construtora S/C Ltda., no valor de R$ 100 mil, para a Santa Casa de Presidente Venceslau. Segundo a corporação, essa empreiteira pertence a Antônio José Aldrighi dos Santos.

Ainda conforme a polícia, "Ajas" é o termo formado pelas iniciais do nome do provedor afastado. Ele aparece como sócio-administrador da empresa, com outras duas pessoas - um homem e uma mulher -, segundo consta no site do Ministério da Fazenda, na consulta do Quadro de Sócios e Administradores (QSA) junto ao Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ).

A sede da construtora é na Avenida Dom Pedro II, no Centro de Presidente Venceslau, conforme o CNPJ. A situação cadastral é "ativa" e a data de abertura é 11 de setembro de 1992.

A nota fiscal emitida para a Irmandade Santa Casa de Presidente Venceslau é do dia 26 de fevereiro de 2013. Na discriminação dos serviços, constam: "mão de obra de reforma, adequação da cozinha, vestiário e lavanderia". O valor total é de R$ 100 mil.

Essa nota fiscal foi apreendida no escritório de Santos, que foi afastado pela Justiça de seu cargo como provedor do hospital, após a deflagração da Operação Sanctorum, no dia 2. Ele estava na administração da unidade de saúde desde 2009.

"Vamos apurar no inquérito se houve essa prestação de serviços ou não. Se houve, em quais circunstâncias foram prestados. A empresa é, sim, do provedor afastado e é no mínimo suspeito uma empresa dele prestar serviços para a Santa Casa", explicou ao G1 o delegado Éverson Aparecido Contelli.

Ele enfatizou que foi aberto um inquérito à parte, pois não há, por enquanto, relação desse fato com o investigado na Operação Sanctorum. "Será investigado se houve algum tipo de crime, como estelionato, caso não tenha sido prestado o serviço. Se foi pagamento com verba pública, pode configurar peculato", salientou Contelli.

O advogado Pedro Augusto Oberlaender Neto, que atua na defesa do provedor afastado, informou ao G1 que ele e seu cliente sabem da apreensão da nota, mas que o documento não foi utilizado.

“As duas vias foram apreendidas, estão lá. Como o inquérito não foi aberto para a manifestação, por enquanto, é o que podemos falar”, frisou o advogado.

Nota fiscal apreendida no escritório de Antônio José A. dos Santos,
provedor afastado da Santa Casa (Foto: David de Tarso/TV Fronteira)
Operação Sanctorum
A operação encabeçada pela Polícia Civil, em Presidente Venceslau, aponta a participação de quatro pessoas em um suposto esquema de desvio de verbas de emendas parlamentares de deputados estaduais e federais a hospitais filantrópicos para a compra superfaturada de equipamentos médico-hospitalares.

As verbas parlamentares eram destinadas à compra de equipamentos, mas esse dinheiro precisava ser gasto com as empresas indicadas pelo esquema, sendo estas instituições de fachadas e em nome de "laranjas".

Entre os presos, estão Luiz Antônio Trevisan Vedoin e Ronildo Pereira de Medeiros, apontados como os líderes. Eles estavam em Cuiabá (MT) no momento da prisão. A dupla, inclusive, já havia sido presa na Operação Sanguessugas, em 2006, acusada de desvio de verbas para a saúde.

Os dois outros homens são Gilmar Aparecido Alves Bernardes, morador de Presidente Prudente, e Denivaldo Mateus de Lima, que foi detido em Aparecida de Goiânia (GO). Enquanto o primeiro é acusado de cooptar os administradores dos hospitais, o outro é tido como dono de uma empresa "fantasma".

Todos foram presos temporariamente e transferidos para Presidente Venceslau. Ao todo, a Polícia Civil estima que o grupo possa ter desviado cerca de R$ 20 milhões somente no Estado de São Paulo. Com a Santa Casa de Presidente Venceslau, o desvio pode ser de R$ 800 mil. (Fonte: G1)

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