sexta-feira, 12 de maio de 2017

Ex-funcionários de usina queimam pneus e bloqueiam passagem de caminhões com cana-de-açúcar



Passagem de caminhões carregados com cana foi bloqueada por
manifestantes (Foto: Diego Guedes Pereira/Cedida)
Cerca de 70 ex-funcionários da Usina Alta Paulista (Usalpa) bloquearam nesta sexta-feira (12) a vicinal conhecida como Estrada Vale Verde, em Junqueirópolis, e impediram que caminhões carregados com cana-de-açúcar para moagem chegassem à Usina Rio Vermelho. Os manifestantes reivindicam o pagamento de salários atrasados e o acerto das rescisões trabalhistas.

O manifesto teve início por volta das 8h e a passagem dos veículos foi impedida com galhos de árvores e pneus incendiados. A ação, segundo os manifestantes, teve o objetivo de não deixar a cana-de-açúcar da Usalpa chegar à Rio Vermelho para ser processada, como forma de “forçar” a primeira usina a acertar os direitos trabalhistas.

“O pessoal foi demitido em novembro do ano passado e ninguém recebeu nada ainda. Quem foi mandado embora em fevereiro nem recebeu o último salário. Muitos não tiveram o Fundo de Garantia depositado e não conseguem receber o seguro-desemprego. Tem trabalhador passando necessidade e dependendo de parentes”, disse Daniel Cavalcanti, de 25 anos, analista de laboratório, que foi demitido em fevereiro.

O ex-funcionário também explicou ao G1 que no dia 5 de abril houve outra manifestação em frente à Usalpa, onde ficou acertado entre a empresa e os ex-colaboradores que o dinheiro da venda de cerca de 300 mil toneladas de cana seria revertido para o acerto dos direitos trabalhistas, porém, segundo Cavalcanti, o acordo não foi cumprido.

“Chamaram a gente para conversar e disseram que venderiam 300 mil toneladas de cana por até R$ 20 milhões e acertariam com a gente no último dia 28 de abril. A cana foi processada, já pagaram a usina e ainda não acertaram com a gente. Estamos tentando colocar pressão. Se a Usina Rio Vermelho ficar sem cana para moer, ela vai por pressão na Usalpa, que já está recebendo dinheiro”, pontuou Cavalcanti ao G1.

Sindicato 
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Química, Farmacêutica e da Fabricação de Álcool de Presidente Prudente e Região (Sindiálcool), Milton Ribeiro Sobral, informou ao G1, nesta sexta-feira (12), que as demissões na Usalpa tiveram início em novembro do ano passado e foram concluídas em fevereiro, porém, diversos ex-colaboradores não receberam os valores das rescisões e de salários atrasados. 

“A Usalpa demitiu, não pagou as verbas rescisórias e o sindicato entrou com uma ação para garantir esses direitos. Fizemos um compromisso verbal com a usina de que o dinheiro dessa cana seria utilizado para pagar os trabalhadores. A manifestação é justa, porque eles foram demitidos e não receberam verbas rescisórias. Tem alguns que não receberam nem o último salário. O sindicato já entrou na Justiça representando cerca de 360 trabalhadores e o nosso objetivo é que ela [Justiça] reconheça que a cana vendida possa ser destinada aos ex-funcionários”, concluiu. 

Outro lado 
O G1 entrou em contato com a Usina Alta Paulista, mas, até o momento, a empresa não se manifestou sobre o assunto. 

A reportagem também entrou em contato com a Usina Rio Vermelho, apontada como a compradora da cana-de-açúcar da Usalpa, mas as ligações não foram atendidas. (GI Prudente) 


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