segunda-feira, 29 de maio de 2017

Furacão JBS abala pecuária de Mato Grosso do Sul

Frigorífico da JBS, situado em Campo Grande, uma das maiores plantas
de abates de gado do Brasil - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado
Temerosos com a crise que se instalou na economia após as delações dos irmãos Batistas, controladores da JBS, e suas repercussões negativas sobre a pecuária brasileira, produtores de Mato Grosso do Sul deverão se reunir na nesta semana para discutir o assunto com o governador Reinaldo Azambuja. O cenário conturbado tem afetado a negociação do boi gordo e está levando os pecuaristas a buscarem alternativas de compradores. Para garantir geração de caixa em meio à crise, a JBS decidiu parar de pagar os pecuaristas à vista, inclusive em MS, onde a empresa responde por cerca de 60% do abate total de bovinos. A medida garante um fôlego para o caixa da companhia, mas desagradou produtores.

A alteração na forma de comercialização ocorreu há três semanas, antes mesmo de as denúncias serem divulgadas. Como a venda a prazo deixa o caixa da empresa mais robusto, a percepção do mercado é de que a mudança na forma de pagamento foi um movimento antecipado do grupo para proteger suas finanças. Desde a divulgação da delação, os negócios seguem em ritmo mais lento. O clima é de incerteza. O preço da arroba caiu e na sexta-feira fechou em R$ 127 no Estado. Além disso, os leilões foram interrompidos. “Quem pode está segurando o boi, por enquanto”, diz Jonatan Barbosa, presidente da Associação de Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul).

Nesta terça-feira, a entidade realiza, em Campo Grande, uma reunião com pecuaristas e representantes do governo estadual para discutir alternativas. Segundo Barbosa, entre 70% e 80% do abate no Estado está sob controle da JBS. “Fizemos de tudo para mostrar ao governo federal que estavam construindo um monopólio, reclamamos até no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica, que trata de concentração de mercado), mas infelizmente não nos ouviram e a JBS virou esse monstro, não temos alternativa para quem vender”, diz Barbosa.  (Fonte: Correio do Estado)

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