segunda-feira, 17 de julho de 2017

Sequestrar em Prudente, esconder Venceslau...

(*) Paulo Francis. Jr

Um caso mirabolante na história policial da região ocorreu no início de 1975. Uma manchete gigante estampada na capa do jornal "O Município", de Presidente Venceslau, no dia 02 de março, domingo, confirma a importância do fato. Dizia "Sequestrar em Prudente, esconder em Venceslau: um milhão de resgate pelo filho do milionário". A ação preventiva da Polícia evitou que se consumasse o sequestro do jovem R. F., na época com 18 anos de idade, residente em Presidente Prudente, filho de J. F., que era um dos proprietários do grupo de lojas Brasimac, especializada na venda de móveis e eletrodomésticos no varejo(foto). A polícia foi avisada e tomou cautelosas providências.

Para a elucidação do evento houve uma reunião em Presidente Prudente, da qual participou o Dr. Antonio Canheti, Seccional de Venceslau. Nela, estabeleceu-se um plano para apurar a veracidade dos fatos e deter possíveis sequestradores. Comandou essa operação do Dr. Antonio Carlos Gonçalves da Silva. A quadrilha foi presa na madrugada do dia 1º de março. Os meliantes confirmaram a ação e como tudo seria feito. O filho do proprietário da Brasimac seria sequestrado em Prudente e "levado para uma fazenda semi-abandonada entre Presidente Venceslau e Marabá Paulista. Havia, no entanto, contradição entre os depoimentos quanto ao total a ser pedido." A polícia acreditava que exigiram o valor de 1 milhão de cruzeiros novos pelo resgate.

O jornal nomeia o autor intelectual do plano e seus comparsas. Foram presos: "Emir N., comerciante em Presidente Prudente; J. S. T., um ex-vereador de Marabá Paulista envolvido em emissão de cheque sem fundo"; J. C. T. e J. C, por porte ilegal de arma e negócios escusos de veículos, sendo que este último já havia cumprido pena de prisão de três anos e meio e "Celso de tal", o único que a polícia não conseguiu por as mãos. Todos foram detidos e Emir N. confessou a autoria, o planejamento intelectual do crime. Interrogados isoladamente os bandidos frustrados confessaram que por três oportunidades anteriores haviam marcado a data do sequestro. A quarta tentativa seria feita na semana em que foram presos. A Polícia Militar reforçou o policiamento pela Rodovia Raposo Tavares na ocasião da ocorrência.

Até aqui este ato poderia ser qualificado como quase irrelevante já que o sequestro em si não se consumou. Poderia... Não fosse a ocorrência trágica de uma morte que aconteceu na madrugada do dia 04 de março. No prosseguimento das investigações sobre a tentativa de sequestro de R. F., o policial civil Mário Moretti, de 59 anos, foi morto por um perigoso fugitivo da Cadeia Pública de Pirapozinho. O jornal informou, no dia 9 de março, que "houve consternação geral em Presidente Prudente pelo falecimento do destacado policial." Moretti costumava dizer que "estava cansado e a criminalidade aumentava assustadoramente em Prudente." Uma previsão era tida como certa: de transferência deste policial para Presidente Venceslau na quinzena subseqüente, já que havia sido promovido a Chefe dos Investigadores.

A Emboscada e a Morte. O investigador estava de campana juntamente com o policial Ely Flores, na tentativa de captura de "Celso de tal", também envolvido no sequestro do filho do dono da Brasimac. "A espera era feita nas imediações da Zona do Meretrício, na Vila Operária, conhecida como "Vila Cachaça". Ali, ambos topariam com o perigoso V. M. Carneiro, vulgo Cigano, que fugiu da cadeia de Pirapozinho. Cigano foi detido sem resistência, no entanto, já dentro da perua da Polícia Civil pediu a Moretti se poderia levar sua pasta; este permitiu e abaixou-se para revistá-la. Neste momento, a menor "A. M. C.", amásia de Cigano, entregou-lhe pelas costas um revólver calibre 38. O investigador ainda percebeu a trama e conseguiu desviar com o braço a mão do bandido que efetuou um disparo. No golpe, Moretti caiu no banco do carro. Cigano, já a dois metros de distância, deu outro tiro. Este mortal. A bala penetrou acima da clavícula e transfixou a via aorta, coração e fígado do policial, vindo a sair pouco acima da virilha". Populares cercaram a cadeia de Prudente tentando linchar Cigano, que foi imediatamente trazido para Venceslau. 

(*) Paulo Francis. Jr é da AVL e escreve aos sábados no Integração Regional.

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